ROSA, Carlos A. & NOIJE, Wilhelmus A. M. V.
Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP
LSI/
PSI/
EPUSP, {carlos.rosa, wilhelmus.noije}@ poli.usp.br
Resumo: Esse trabalho apresenta propostas de máquinas de ensino-aprendizagem (TLM), na forma de tabuleiros e painéis eletrônicos dedicados, que foram criadas para desenvolver hábitos especiais nos usuários por meio de atividades práticas específicas induzidas por um processo instrução programada visando a familiarização de alunos com conceitos relevantes utilizados em Projetos de Circuitos Integrados CMOS/VLSI. Essas TLMs estão sendo estudadas no Brasil e apresentam as seguintes caracterísicas gerais: baixo custo e facilidades de construção, permite a verificação prática de conteúdos teóricos sem a utilização de software simuladores, permite que o processo de ensino seja direcionado tanto por instrução supervisionada quanto por instrução programada facilitando a implantação de um ensino individualizado por auto-instrução, dispensa o uso de bancadas de trabalho horizontais convencionais, não ocupa grandes volumes de armazenagem, não precisa de ambientes especiais de aprendizagem - salas especiais ou sala ambientais - como os tradicionais laboratórios de eletrônica e nem mesmo de salas de microcomputadores. Facilmente as TLMs podem ser utilizadas durante as aula teóricas e podem apresentar excelentes resultados pedagógicos. As máquinas propostas mostraram-se excelentes recursos pedagógicos para trabalhar com alunos iniciantes na aprendizagem da eletrônica e foram verificados em algumas escolas públicas brasileiras tradicionais destinadas ao ensino técnico de nível médio e ao nível superior nas áreas tecnológicas de engenharia elétrica e computação.
Palavras chaves: Tecnologia Educacional, Máquinas de ensino-aprendizagem, TLM (Teaching-Learning Machine), Transposição Didática, Instrução Programada, Sala Ambiente, Máquinas CMOS.
1. Introdução
Durante os anos de 2006 e 2007 alunos e professores de escolas técnicas de eletrônica e de instituições superiores de ensino de tecnologia e engenharia na cidade de São Paulo foram consultados sobre algumas questões relativas às práticas de ensino em seus laboratórios. As escolas técnicas visitadas foram o
SENAI (alunos dos cursos de eletrônica e telecomunicações),
CEFET/SP (alunos dos cursos de eletrônica, telecomunicações e automação industrial),
ETECs do Centro Paula Souza (alunos do curso de eletrônica) e
LICEU de Artes e Ofícios de São Paulo (alunos do curso de telecomunicações). As instituições de ensino superior de tecnologia foram
FATEC/SP (alunos dos cursos de mecânica de precisão e MPCE - materiais, processos e componentes eletrônicos),
CEFET/SP (curso de sistemas digitais) e engenharia elétrica da
Escola Politécnica da USP.
Esse trabalho apresenta alguns resultados preliminares de pesquisa realizadas nessas instituições que resultaram no desenvolvimento de um proposta de utilização alternativa de
máquinas de ensino-aprendizagem [1] conjuntamente às aulas prática de eletrônica.
Para facilitar o nosso entendimento sobre a utilização das máquinas propostas, ao longo desse texto utilizaremos algumas siglas onde atribuímos os seguintes significados:
TLM (Teaching-Learning Machine) será utilizada de uma maneira geral para designar qualquer máquina empregada com propósitos didáticos dentro de um contexto educacional cujas interações com às funcionalidades dos seus elementos constitutivos ocorrem com professores e alunos.
TM (Teaching Machine) será utilizada para indicar o sub-grupo de TLMs cujas interações com as funcionalidades ocorrem exclusivamente para atender às necessidades didáticas dos professores, e
LM (Learning Machine) será utilizada para indicar o outro sub-grupo das TLMs onde as interações foram criadas de tal forma a desenvolver hábitos especiais nos alunos através de atividades práticas podendo ser intensivas ou não, atendo às necessidades especiais de uma instrução técnica específica ou mais mais geral de uma formação acadêmica.
Observando as atividades didáticas nos laboratórios de eletrônica das instituições visitadas pudemos identificar várias situações em que as TLMs poderiam contribuir fortemente nos processos de ensino-aprendizagem.
Os objetos de aprendizagem através das TLMs variam para atendem os objetos de ensino de cada formação. Por exemplo, o objeto de ensino de nível médio difere quase totalmente do objeto de ensino de nível fundamental. Quanto a esse aspecto não levantamos nenhuma objeção. Porém, quando falamos em objetos de ensino de uma formação técnica de nível médio ou formação superior (seja em nível tecnológico ou bacharelado), poderá surgir várias objeções se a distribuição dos conteúdos, embora muito similares entre si, atendem ou não aos propósitos pretendidos em cada formação.
De um modo geral, é intuitivo pensar que não podemos inserir numa formação de nível médio todo um conjunto de conhecimento comum de uma formação de nível superior. Em termos práticos poderíamos dizer que nenhum professor seria louco de ensinar cálculo diferencial e integral no ensino médio enquando seus alunos ainda estão aprendendo os rudimentos da álgebra.
Dessa situação hipotética, o professor poderia verificaria rapidamente que seus alunos não conseguem adquirir autonomia para resolverem problemas facilmente seriam resolvidos através do cálculo. Por exemplo, para calcular a área de um círculo qualquer aluno sabe de cor, porém quando se deseja calcular a área por curvas ligeiramente circulares aí começam a surgir os problemas para os alunos do ensino médio.
Alguns alunos poderão tentar decompor em áreas de círculos menores, em pequenos quadrados menores e acertar os excessos e ausência de áreas na região próximas às curvas, outros poderão imaginar áreas trapezodais etc.
Mas essas questões levam mais tempo para serem discutidas e verificadas no ensino médio e não daria para atender toda a grade curricular. A distribuição dos conteúdo escolares em disciplinas e a determinação do tempo para dar cumprimento aos objetivos propostos vão fazer parte de uma outra esfera de desafios que cabem aos gestores resolverem conjuntamente com os educadores.
Vemos então alguns conceitos importantes se contrapondo entre si para terem mais atenção. Um tempo rígido que não pode ser aumentado para que o concteúdo programado para a disciplina possa verificado nunca está de acordo com o conceito do ideal exigido pela matéria em estudo. O educadores quando verificam a aprendizagem de seus alunos observam que as habilidades nos alunos pretendidas raramente são satisfeitas. E, nesse ponto o ensino real fica sempre muito aquém do ensino ideal.
Dentre as várias possibilidades que temos para resolver essas questões optamos por inserir nesse contexto educacional o uso de máquinas de ensino-aprendizagem dedicadas ao ensino técnico cujo objetivo principal é potencializar o ensino real para que a aprendizagem alcance as habilidades ideais dentro dos prazos previstos.
O projeto de TLMs de um modo geral para servirem aos propósitos a que se destinam devem seguir algumas diretrizes gerais que denominamos "Especificações práticas para projeto e construção de TLMs" que serão examinadas a seguir.
Nessa especificação prática, as técnicas construtivas das TLMs foram elaboradas para que tantos os docentes quanto os alunos participem das atividades de especificação e de montagem das máquinas. Já que estas atividades atendem perfeitamente aos propósitos didáticos inerentes ao processo de ensino-aprendizagem através de laboratórios experimentais. Dentre todos os espaços de aprendizagem que podem dispor uma instituição de ensino, os laboratórios experimentais, de uma maneira geral, são os melhores recursos institucionais que podemos dispor na atualidade, pois é através dos recursos didáticos existentes nas salas ambientes de aprendizagem que melhores resultados instrucionais podem ser alcançados.
As salas ambientes de aprendizagem podem criar as condições fundamentais para um ambiente motivador pois as aulas podem ficar muito mais interessantes do ponto de vista pedagógico. As atividades podem proporcionar maior interatividade com os temas teóricos estudados confrontando-os com a correspondente atividade prática. Essas atividades tornam as aulas mais dinâmicas e menos entediantes proporcionando maior integração entre docentes e alunos.
Nos próximos ítens apresentaremos os fundamentos teóricos da transposição didática, uma visão geral sobre a teoria das máquinas de ensino-aprendizagem, uma proposta de protótipos de TLMs destinados ao estudo de conceitos fundamentais em projetos de circuitos integrados digitais CMOS [2] e uma proposta de sala ambiente para CMOS Design.
2. Fundamentos Teóricos da Transposição Didática
O termo
transposição didática [3][4] utilizado no título dessetrabalho é a chave mestra que fundamenta o objeto da pesquisa na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Os fundamentos da transposição didática foram inicialmente apresentados por
Yves Chevalhard (1991). Em seu livro que aborda os métodos e técnicas utilizadas nos processos que permitem transformar objetos de saberes conhecidos (
du savoir savant) em objetos de saberes de ensino (
au savoir enseigné). Isto é, segundo Chevalhard, de todos os conhecimentos assimilados e desenvolvidos pelo homem raramente farão parte de qualquer grade curricular dos sistemas de ensino. Isso é facilmente justificado pelo fato das escolas, de uma maneira geral, optarem por uma formação mais generalista que dá total atenção ao ensino de conteúdos gerais em oposição aos conhecimentos pesquisados e desenvolvidos nas universidades que se movimentam em direção contrária, e se aprofundam cada vez mais em conhecimentos especializados, cada vez mais particularizado. Assim, por esses motivos muitos desses conhecimentos especilizados e já há muito tempo dominados no contexto acadêmico jamais participarão de qualquer grade curricular de ensino de escolas de ensino médio.
Diante do exposto podemos concluir duas importantes conseqüências do ensino, uma baseada na formação generalista e a outra na formação especialista. Uma formação generalista permite que todo o conhecimento já conhecido (savoir savant) seja ensinado ao público (savoir enseigné) apenas de forma enciclopédica, isto é, de forma resumida, visando principalmente desenvolver nos alunos habilidades mais abstratas baseadas na articulação conceitual que cercam tais conhecimentos. Essa abordagem generalista é o princípio que vem norteando as diretrizes curriculares estabelicidas pelos órgãos oficiais reguladores dos sistemas de ensino fundamental e médio em quanse todos os países, há pelo menos um século. Essa formação generalista visa proporcionar aos alunos as condições necessárias para um ingresso em qualquer área de uma formação acadêmica futura.
Por outro lado, uma formação especialista permite que os conhecimentos sejam ensinados de uma forma mais particularizada e aprofundada sobre certos aspectos práticos da vida, dentro de contextos particulares do cotidiano. Com isso, uma formação especialista para ser eficaz precisa voltar-se para o desenvolvimento de habilidades profissionais visando transformar alunos em profissionais com conhecimento técnicos suficientes para atender às necesidades do mercado de trabalho e não para o mundo acadêmico.
Do exposto, vimos que em termos teóricos e gerais que a transposição didática é uma processo que se preocupa com as questões de transformar objetos de saberes conhecidos em objetos saberes ensinados. A transposição didática é uma metodologia que transforma esses saberes teóricos em saberes utilizados nas práticas de ensino. Em nosso caso particular, a transposição didática assume aspectos de natureza prática sendo constituída por uma metodologia que integra um conjunto de atividades didáticas, processos construtivos e recursos eletrônicos para compor os meios necessários para que conhecimentos especializados na área de projetos de circuitos integrados digitais CMOS sejam adaptados para o uso em salas ambientais de tecnologia em escolas do ensino fundamental (alunos de 5ª a 8ª séries) e ensino de nível médio para desenvolver propostas de temas transversais na área da tecnologia digital. E, para as escolas técnicas de eletrônica as mesmas máquinas MOS, através do desenvolvimento de um roteiro de experiências baseados nos modelos da instrução programada proporcionariam aos alunos uma imersão no mundo da microeletrônica e na prática de modelagem de circuitos integrados digitais CMOS.
3. Teoria das Máquinas de Ensino-Aprendizagem
O desenvolvimento de recursos pedagógicos auxiliares aos professores de projetos de sistemas eletrônicos em circuitos integrados pode ser bastante úteis fornecendo orientações gerais para se construir módulos de máquinas de ensino-aprendizagem virtuais e não-virtuais, baseadas em práticas de montagens de circuitos eletrônicos nos padrões da especificação
FLEXLAB [5]. Como máquinas virtuais podemos considerar a maioria de software para
EDA (Electronic Design Automation) [6] e os diversos programas de simulação de circuitos eletrônicos.
As máquinas de ensino-aprendizagem que estão sendo concebidas para trabalha na prática em ambiente reais de forma interativa, onde visamos criar as condições necessárias para motivar e atrair jovens das escolas técnicas para área de projetos de circuitos integrados em ensinos superiores de tecnologia e/ou de engenharia elétrica.
Os módulos das máquinas de ensino-aprendizagem abordada nesse trabalho permitem experimentar alguns conceitos essenciais e comuns da área de projetos de circuitos integrados digitais CMOS. Foram desenvolvidos alguns conjuntos para um contato iniciail e histórico com as tecnologia digitais do passado baseadas em junções bipolares onde as atividades didáticas prelimares foram ambasadas em pequenos tutoriais ministrados nas disciplinas introdutórias de eletrônica, tais como: transistores bipolares operando como chaves e seu uso em circuitos digitais com lógica
RTL,
DTL e
TTL. Na Figura 1 abaixo podemos observar alguns pequeno módulos usados no que foi chamado de máquinas bipolares que permite contemplar uma análise mais detalhada das tecnologias usando os transitores bipolares.

Figura 1 - Máquinas Bipolares: RTL, DTL e TTL.
Na Figura 2 é apresentado diversas formas possíveis de se conectar os diversos módulos criados para das características elétricas e o estudo das diversas tecnologias empregadas nessas máquinas bipolares.
a

b
Figura 2 - Sistemas de Interconexão entre módulos das Máquinas Bipolares.
Para o estudo das características elétricas dos transistores de tecnologia MOS e o comportamentos lógicos das portas lógicas usando a tecnologia CMOS foram elaborados outros conjuntos de TLM. Nessa foram desenvolvidos dois tipos de máquinas MOS para atender duas finalidades distintas: as atividades do professor e as atividades dos alunos. As máquinas usadas pelos professores foram denominadas máquinas de ensinar (TM). As TMs são máquina projetadas na forma de painéis didáticos com grandes dimensões (70 cm x 100 cm) para servir de auxílio às atividades docentes durante a apresentação introdutória das tecnologias de dispositivos MOS e da lógica digital CMOS. As máquinas de aprendizagem, designadas pela sigla LM, é um outro conjunto de máquinas em formatos portáteis destinados ao uso individualizados pelos alunos. As LMs poderão ser baseadas em plataforma portáteis na forma de consoles, notebooks ou tabuleiros com dimensões menores que o formato padrão A3 (297 mm x 420 mm) e que poderão ser alimentados por baterias recarregáveis, fontes chaveadas externas ou mesmo embutidas na plataforma.
4. Propostas de TLMs para Aulas de CMOS Design
A Figura 3 ilustra o layout da interface usada no painel frontal de duas LMs chamadas máquinas MOS Sea-of-Gates (a) e Sea-of-Transistors (b), ambas com dimensões A4 (210 mm x 297 mm). Ambas as máquinas MOS apresentam um layout para modelagem geométrica de circutos integrados usando transistores NMOS e PMOS para composição de portas lógicas básicas. A primeira máquinas, em (a), utiliza-se a tecnologia Sea-of-Gates para projetar circuitos integrados, enquanto a segunda máquina, em (b), é utilizadas para uma modelagem mais geral de circuitos lógicos usando a tecnologia Sea-of-Transistors. Nessas máquinas os alunos aprendem como interligar os transistores NMOS e PMOS, através de metalização para formar as portas lógicas básicas (Inversor CMOS, portas NAND e AND de duas entradas, portas NOR e OR de duas entradas, transistores de passagem, portas de transmissão, chave analógica, Latch, célula RAM, Flip-Flop RS e portas através de multiplexadores). Na parte superior dessas LMs MOS estão presentes dois conectores USB destinados à interconexão da fonte de alimentação de 5 Vdc. Na parte central superior estão disponíveis três chaves binárias (do tipo liga-desliga) com LEDs indicadores de estados para servir de entrada de dados na manipulação do sinal de teste das variáveis A, B e C para as portas lógicas que estão sendo analisadas ou projetadas pelos alunos.
a

b

Figura 3 - Modelos de Máquinas MOS: (a) sea-of-gates e (b) sea-of-transistors.
Os transistores MOS (NMOS e PMOS) podem ser interconectados de diversas maneiras para se construir a funcionalidade de vários tipos de circuitos lógicos e, ainda, pode-se utilizar para testar as diferentes técnicas de projetos de circuitos integrados com a
tecnologia CMOS, por exemplo, a lógica
CMOS Estática e a lógica
CMOS Dinâmica.
Para o uso eficiente dessas LMs se faz necessário a criação de um tutorial escrito e que deve ser disponibilizado aos alunos na forma de uma apostila ou e-book. Um formato prático para compor os tutoriais das LMs poderia ser baseado nos modelos usados nas instruções programadas (modelo seqüencial, ramificado ou misto). Um roteiro básico para um tutorial CMOS poderia iniciar mostrando o comportamento elétricos isalado dos transistores NMOS e PMOS do tipo enriquecimento, e depois a construção do inversor CMOS e o levantamento experimental de sua curva de transferência. Em seguida, seriam mostradas as diversas configurações usadas nas construção de portas simples com lógica CMOS estática, para em seguida, apresentar portas lógicas CMOS dinâmicas. Assim, os alunos vão adquirindo os conhecimentos fundamentais e aprendem as idéias básicas usadas em projetos das portas básicas. Aos poucos, por esse método passo-a-passo, os alunos vão construindo circuitos lógicos mais complexos usando blocos lógicos mais sofisticados envolvendo o uso de
transistores de passagem e de
transmission gates.
a

b

c
Figura 4 - Configurações de Máquinas MOS: (a)
Sea-of-Gates, (b) configuração Estrela e (c) configuração em Cascata.
5. Sala Ambiente de Aprendizagem usando TLMs para CMOS Design
Entendemos por sala ambiente toda e qualquer sala dentro de uma instituição de ensino equipada com recursos de tecnologia educacional para atender propósitos educacionais.
Em termos gerais, normalmente as salas ambientes necessitam de uma infra-estrutura especial, operacionalização com pessoal especializado para dar suporte técnico sempre necessário para garantir a funcionalidade desejada. Por envolver recursos financeiros, normalmente escassos, a implantação de salas ambientes requer uma etapa de planejamento para otimizar esses recursos para as aquisições. Por isso, é preciso que seja muito bem planejada.
Os microcomputadores do tipo desktop, notebooks, tablets, PDAs e softwares educacionais utilizados em alguns laboratórios de informática constituem as máquinas de ensino-aprendizagem mais avançadas e de uso geral existentes na atualidade. Atualmente é quase impossível encontrar uma instituição de ensino moderna que não se disponibilize de tecnologias avançadas e salas ambientes com microcomputadores.
Nas escolas técnicas e de engenharia é comum encontrarmos professores desenvolvendo as atividades experimentais com seus alunos em laboratórios especiais para eletrônica, telecomunicações, mecânica, mecatrônica, robótica e etc, usando salas ambientes dedicadas. Essas salas ambientes são especializadas e requerem planejamentos especiais para permitirem que as atividades de ensino-aprendizagem de cada área possam atender às expectativas dos educadores, reproduzindo às vezes as mesmas características de um ambiente de trabalho no mundo real.
Algumas instituições utilizam de modo compartilhado as salas de informática como salas de eletrônica para a experimentações para permitir um interfaceamento de um hardware ou kits de avaliação ou desenvolvimento interligado com um microcomputador por meio de suas portas de comunicação serial, paralela ou USB.
----Corrigir esse parágrafo----
Embora, atualmente, seja praticamente impossível projetar manualmente circuitos integrados VLSI, cada vez mais o uso de um software simuladores e CAD para VLSI Design sejam necessários, observamos que para o ensino dos rudimentos de projetos de circuitos para aqueles alunos iniciantes na área, em termos educacionais, constituem grandes obstáculos durante o processo de ensino-aprendizagem.
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Com o propósito de transpor esses obstáculos foram desenvolvidas e testadas algumas propostas de máquinas de de ensino-aprendizagem sem a utilização de recursos computacionais sofisticados e sem a utilização de salas ambientes.
Podemos dizer que a utilização das máquinas de ensino-aprendizagem propostas para projetos de circuitos integrados CMOS/VLSI não exigem recursos especiais de salas ambientes convencionais. Por exemplo, podemos utilizar qualquer espaço de aprendizagem da instituição de ensino como sala ambiente. Assim, os corredores internos, as salas de aula teórica, os auditórios, os pátios escolares, etc são espaços de aprendizagem.
Algumas máquinas de ensino-aprendizagem foram projetadas e contruídas em painéis e/ou laminados padronizados com dimensões adequadas para serem facilmente transportados por alunos e professores través de suas alças. Esses painéis facilmente são fixados na parede ou nas bordas das lousas através de ganchos metálicos de fixação.
De um modo geral podemos imaginar um instituição de ensino utilizando em todo o seus espaço ocioso como espaço de aprendizagem. Nessa categoria enquadramos as paredes vazias também como espaços de aprendizagem, justamente, porque nelas podemos fizar nossas máquinas de ensino-aprendizagem na forma de painéis.
6. Conclusão
No aspecto particular da baixa exigência de salas ambientes, da utilização das paredes das instituições de ensino como espaços de aprendizagem e da utilização intensiva de máquinas de ensino-aprendizagem nas instituições de ensino, esse trabalho é essencialmente inovador.
Essa estratégia de utilizar máquinas de ensino-aprendizagem em instituições de ensino técnico e tecnológico possibilitou o desenvolvimento de uma familiarização mais amigável dos alunos com a alta tecnologia envolvida em projetos de circuitos integrados.
Através de um roteiro ou tutorial, pudemos desenvolver algumas experiências como atividades práticas de laboratório. Algumas técnicas de projetos de circuitos integrados foram apresentadas em sala de aula através do uso de software de simulação de circuitos e chegando a utilização de software CAD/VLSI como MicroWind e o Electric.
Foram trabalhados com esses alunos vários conceitos de projetos de circuitos lógicos digitais utilizando tecnologia CMOS. Foram aprensentados o funcionamento das portas lógicas (estática e dinâmica), lógica CMOS utilizando transistores passagens e
transmission gates. Foram apresentados também o funcionamento e uma teoria simplificada dos circuitos lógicos programáveis utilizando-se de técnicas tais como
sea-of-gates e
sea-of-transistors para a composição de arquiteturas de chips
CPLD e
FPGA. Finalmente foram apresentados os modelos descritivos de hardware HDLs (
VHDL e
Verilog) como recursos tecnológicos avançados para a projeção ou geração automáticas de circuitos digitais.
Com essa estratégia de máquinas de ensino-aprendizagem em sala de aula e aplicadas à projetos de circuitos integrados digitais CMOS/VLSI, ficaram evidentes que os alunos se sentem muito mais atraídos e envolvidos pela área de projetos. Notamos fortemente o entusiamo dos alunos e professores na interação com as máquinas e querendo saber muito mais sobre como circuitos integrados mais avançados são projetados. As perguntas e curiosidades dos alunos sobre os circuitos integrados foram inúmeras: física de semicondutores, processos de fabricação existentes, tecnologia e tipos de encapsulamento possíveis, arquitetura de microprocessadores e microcontroladores, MEMs e micromáquinas, sensores inteligentes, nanotecnologia e outros.
As três formas possíveis de abstração em projetos de circuitos integrados estudada por
Gajsky-Kuhn (1982) ficaram mais evitentes aos alunos envolvidos e puderam verificar na prática como funciona a modelagem comportamental, modelagem estrutural e a modelagem geométrica de uma função lógica.
Finalmente, pudemos concluir que as máquinas de ensino-aprendizagem utilizadas nesse trabalho podem constituir excelentes recursos metodológicos de transposição didática e nos permitiu transformar alguns saberes científicos usados em um segmento particular de alta tecnologia, área de projetos de projetos de circuitos integrados CMOS/VLSI, em saberes escolares ensináveis a alunos de escolas técnicas iniciantes na área de eletrônica.
7. Referências
[7] CHEVALHARD, Yves et JOSHUA, Marie-Alberte.
La transposition didactique du savoir savant au savoir enseigné: suivie de un exemple dánalyse de la transposition didactique, La Pensee Sauvage Editions, ISBN 2859190783, 1991. [
Google Books,
Dedalus IME/USP]
[8] ORTON, Anthony.
Learning Mathematics: Issues, Theory and Classroom Practice, Cassell, London, 224 p, ISBN 0826471137, 2004. [
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[11] PREECE, Jennifer [et al.]
Interaction Design: beyond human-computer interaction, John Wiley & Sons, USA, ISBN 0-471-49278-2, 2002. [
Google Books,
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